quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Governo de SP concederá 15 terminais integrados ao Metrô por 40 anos

17/08/2017 - Istoé

Estadão Conteúdo


O governo do Estado de São Paulo lança nesta quinta-feira, 17, um edital para conceder à iniciativa privada 15 terminais de ônibus integrados a estações das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô. É uma transferência por 40 anos da gestão das paradas, com a autorização para o novo concessionário verticalizar as áreas dos terminais e alugar esses espaços, mas com a obrigação de que, terminado esse prazo, as melhorias retornem para o poder público.

A licitação será de lote único. Vencerá o processo empresa ou consórcio que oferecer a maior contrapartida ao Estado – a remuneração tida como base é de R$ 309 mil por mês ou 3% do faturamento bruto do concessionário que assumir os terminais. Ele ficará encarregado de arcar com custos fixos, como energia, limpeza e manutenção, e poderá explorar comercialmente os espaços.

Os terminais incluídos no edital são Parada Inglesa, Santana, Armênia e Ana Rosa, da linha 1-Azul, e Artur Alvim, Patriarca norte, Vila Matilde norte, Penha norte, Carrão norte, Carrão sul, Tatuapé norte, Tatuapé sul, Brás, Barra Funda sul e Barra Funda turístico da Linha 3-Vermelha. Em sete deles, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) prevê a construção de edifícios. Ao todo, os terminais têm uma área de 115 mil m².

As regras para a verticalização são as mesmas válidas para os terminais de ônibus da São Paulo Transporte (SPTrans), aprovadas no Plano Diretor Estratégico de São Paulo. Assim, o concessionário poderá construir uma área de até quatro vezes a metragem dos terminais.

“Essas estações poderão ter uso misto, com apartamentos residenciais locáveis nos andares mais altos, salas comerciais nos médios, lojas e espaços de convivência e alimentação nos inferiores. Nos sete terminais edificáveis, o projeto permite uma área mínima de construção de aproximadamente 85 mil metros quadrados e prevê um investimento mínimo de R$ 270 milhões”, informou a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, por nota.

Titular da pasta, o secretário Clodoaldo Pelissioni afirma que a proposta retira do Metrô os custos de operar os terminais, estimados em R$ 24 milhões por ano. Esse recurso deverá ser transferido para custear gratuidades do transporte, como o passe para idosos.

Diferença

Proposta parecida foi anunciada anteontem pela Prefeitura de São Paulo, que abriu processo para recolher estudos para a concessão de 24 terminais de ônibus. O anúncio do governo Alckmin difere porque o que está sendo lançado já é o edital para a concessão dos terminais – algo que a Prefeitura só deve fazer no fim do ano.

Outra diferença é que, no caso da Prefeitura, o concessionário terá direito de vender espaços dos prédios a serem construídos. Já o Metrô terá direito de reaver esses imóveis daqui a 40 anos, quando a concessão terminar. “Assim o poder público pode pegar a valorização vinda com esses investimentos de volta”, afirma Pelissioni. O secretário espera o fim da licitação ainda neste ano.

Para o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, professor da Faculdade de Belas Artes, a verticalização nos locais dos terminais é positiva para a cidade, mas precisa ser bem planejada e comandada pelo governo para que a concessão possa melhorar o desenvolvimento social da região. “Grandes cidades do mundo, como Tóquio, fazem isso há décadas, envolvendo as estações por grandes equipamentos de consumo, habitações e centros empresariais. Mas é importante ter as contrapartidas bem dimensionadas para que não vire um negócio meramente mercantil”, disse.

Segundo Nakano, a melhor forma de explorar o espaço aéreo dos terminais é combinar prédios de uso misto (residencial e comercial), como prevê o edital do governo, com equipamentos públicos como escolas e hospitais, seguindo as diretrizes do Plano Diretor. “Cabe ao poder público e não à iniciativa privada identificar o potencial de cada região.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


sábado, 12 de agosto de 2017

Metrô de SP assina concessão de publicidade por R$ 375 milhões

10/08/2017 - Exame

A multinacional JCDecaux, que atua em metrôs como o de Nova York, nos EUA, e Santiago, no Chile, ficará 10 anos com os direitos de publicidade em SP

Por Estadão Conteúdo

Metrô de SP
Metrô: o acordo faz parte de uma estratégia de arrecadação (Metrô de SP/Facebook/Divulgação)

São Paulo – O Metrô de São Paulo assina na tarde desta quinta-feira, 10, um contrato para a concessão por 10 anos nos espaços publicitários da maior parte da rede — as Linha 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha — com a empresa multinacional JCDecaux (que faz esse serviço em metrôs como o de Nova York, nos EUA, e Santiago, no Chile).

A previsão é que a empresa invista R$ 20 milhões para reformar painéis publicitários e instalar painéis eletrônicos. A empresa terá de pagar uma outorga de R$ 375 milhões ao Metrô durante o prazo de concessão.

“Ao trabalhar com a maior e mais renomada empresa mundial na gestão publicitária dos maiores metrôs do mundo, temos certeza que a oferta de mídia do Metrô de SP vai se tornar uma referência no Brasil. Nosso objetivo é melhorar a experiência dos nossos passageiros e modernizar nossas estações no que diz respeito à comunicação visual, entendendo que este contrato refletirá exatamente esta diretriz”, diz o presidente do Metrô, Paulo Menezes Figueiredo.

A multinacional venceu um pregão eletrônico realizado em 26 de junho que teve, de acordo com o Metrô, outras duas concorrentes e, ao todo, 230 lances.

“O contrato envolve a exploração de 52 das 61 estações hoje administradas pela Companhia do Metrô, englobando todas as estações das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha.

Em paralelo, a empresa francesa também obteve uma Carta de Autorização para a comercialização da publicidade das atuais sete estações da Linha 5-Lilás, durante os próximos seis meses, até a concessão deste ramal à iniciativa privada”, diz o Metrô, em nota.

De imediato, a JCDecaux passa a administrar os painéis publicitários já existentes na rede — como o grande painel eletrônico fixado nosvãos da Estação da Sé.

“A segunda será uma fase de transição das peças atuais para as novas estruturas, com a instalação de equipamentos no tamanho padrão de mobiliário urbano ou grandes formatos, dependendo da disponibilidade nas estações e fluxo de passageiros”, afirma o Metrô. Numa terceira fase, com data ainda não informada, a empresa de publicidade fará um novo plano de mídia na rede metroviária.

A melhoria da exploração publicitária é uma das estratégias anunciadas pelo Metrô no começo do ano para enfrentar dificuldades financeiras, ocasionada pela crise econômica e pelo desemprego, que reduziu o número de passageiros no sistema.

Por causa desse cenário, em 2016 os recursos da empresa para investimento tiveram queda de 30% em relação a 2015, de R$ 3,3 bilhões para R$ 2,34 bilhões.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Pesquisa Origem e Destino do Metrô de São Paulo chega à 6ª edição

07/08/2017 - Metrô CPTM

Realizado há 50 anos, levantamento é responsável por traçar as estratégias de implantação da malha metroviária, mas vai além muito além disso

Ricardo Meier

Pesquisa OD: 32 mil domicílios visitados (Metrô)

Desde a semana passada, um verdadeiro exército de 1.200 pesquisadores está espalhado pela região metropolitana de São Paulo com uma missão, saber para onde, quando e como os moradores se deslocam pelos inúmeros municípios que compõem a macrometrópole. Parece um trabalho rotineiro, mas não é. A Pesquisa Origem e Destino realizada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, mais conhecida como “Metrô”, ocorre apenas pela 6ª vez em 50 anos. O intervalo estipulado pela empresa para notar mudanças na forma como as pessoas se deslocam nessa grande mancha urbana é de 10 anos, mas recentemente uma pesquisa de mobilidade, mais simples, passou a ser feita após cinco anos para alinhar alguns dados.

O desafio é imenso: o Metrô estima necessitar de 32 mil questionários válidos respondidos para que a pesquisa se torne confiável. Por isso é preciso visitar muitos domicílios afinal até mesmo crianças da família entram na conta. Com os dados tabulados, forma-se uma enorme radiografia da mobilidade na capital e nas cidades em seu entorno, além do fluxo que vem para a região oriundo de cidades do interior e litoral e também por via aérea.

A Pesquisa OD, como também é conhecida, tem uma importância fundamental no planejamento do Metrô. É graças a ela que a empresa consegue dimensionar as futuras linhas a serem construídas e saber que infraestrutura será necessária. Imagina-se o risco que seria estimar uma demanda menor do que a real quando uma linha é entregue. Por essa razão até mesmo deslocamentos a pé, de bicicleta ou por aplicativos de carona como o Uber, entram na conta, embora sejam considerados percursos com mais de 500 metros.

Mas não é apenas o Metrô que se beneficia dos dados, que são públicos, aliás. Outras empresas como a SPTrans, que administra a rede de ônibus em São Paulo, e mesmo o mercado imobiliário fazem uso dessas informações para traçar suas estratégias.

15 minutos de resposta

Trata-se, no entanto, de um assunto delicado e por isso é importante esclarecer que o teor da pesquisa é criptografado e mantido em sigilo. O Metrô, inclusive, busca se cercar de várias medidas de segurança para que o entrevistado possa responder as perguntas sem receios. Escolhidos por amostragem, os moradores são avisados por uma carta formal da empresa sobre a visita e podem agendá-la com antecedência. Nesta edição, a empresa aprimorou o sistema ao introduzir os tablets para respostas, enviadas para um servidor assim que a pesquisa é concluída. Além disso, o entrevistado recebe uma contrassenha que deverá ser respondida pelo entrevistador, como forma de garantir sua procedência.

A preocupação com a segurança tem razão de ser. Muita gente acaba evitando a pesquisa se não ter certeza que pode se tratar de alguma fraude ou golpe. Para isso, o Metrô disponibiliza um telefone para que o entrevistado possa confirmar as informações do pesquisador. O tempo de resposta para cada morador é de cerca de 15 minutos.

Basicamente, o Metrô procura saber quais e quantos são os deslocamentos, detalhando inclusive quais modais são usados para isso – exemplo, andar até o ponto de ônibus, ir até uma estação do Metrô e de lá até o trabalho. Deslocamentos oriundos de fora da região são contabilizados pelas estradas. Se o motorista tem como destino algum dos municípios da Grande São Paulo ele é parado pela Polícia num ponto seguro e convidado a responder as perguntas.

Uniforme dos pesquisadores do Metrô(Divulgação)

Espera-se que, com a adoção do tablet, o tempo gasto na pesquisa seja menor do que na edição anterior. Ainda assim, o Metrô estima precisar vistar mais do que o dobro dos 32 mil domicílios necessários para dar confiabilidade ao resultado – que tem uma margem de erro de 10% após 20 anos da sua realização.

Nesta edição, o Metrô divulgará uma campanha sobre a Pesquisa OD utlizando como símbolo um cachorro. A ideia é passar a mensagem que seu cão da casa aprova a pesquisa, o morador também deve receber bem o pesquisador. Veja a seguir alguns dados interessantes obtidos nas pesquisas anteriores:

Em 2012, foram realizadas diariamente 43,7 milhões de viagens na região metropolitana, volume 15% maior que o levantado em 2007, para um aumento de 2% na população no período.

Do total de viagens diárias, 68% foram feitas por modos motorizados e 32% por modos não-motorizados. No período 2007-2012, houve maior aumento das viagens motorizadas que cresceram 18%, do que das viagens não-motorizadas que cresceram 8%.

O índice de mobilidade passou de 1,95 para 2,18 viagens diárias por habitante, enquanto que o índice de mobilidade motorizada passou de 1,29 para 1,49 viagens diárias no período 2007-2012.

A frota de automóveis particulares cresceu 18% no período 2007-2012, resultando em uma taxa de motorização de 212 veículos por mil habitantes. As viagens de automóvel tiveram aumento expressivo nas faixas intermediárias de renda mensal familiar (entre R$ 1.244,00 e R$ 4.976,00).

Entre os modos coletivos, houve aumento da participação dos modos sobre trilhos de 12% para 15% (metrô – de 9% para 11% – e trem – de 3% para 4%) e queda na participação do modo ônibus como modo principal, de 36% para 32%. As viagens por trem aumentaram de 815 mil para 1.141 mil no período considerado, significando crescimento de 40%. As viagens de metrô cresceram 38% (de 2.223 mil para 3.219 mil). Entre os modos individuais, a participação do automóvel permaneceu estável (41% em 2007 para 42% em 2012).

As viagens de metrô com uma transferência modal aumentaram sua participação de 55% em 2007 para 58% em 2012. As viagens exclusivas de trem diminuíram a participação de 20% para 14% e as viagens com duas transferências tiveram acréscimo na participação de 29% para 37%, no mesmo período.

Em relação à flutuação horária das viagens, o pico do meio-dia superou os picos da manhã e tarde, devido às viagens a pé e bicicleta.

Ocorreram mudanças também no transporte não-motorizado: queda de participação no total de viagens entre 2007 e 2012 (de 34% para 32%), especialmente nas viagens por motivo educação (queda de 7.291 mil viagens para 6.928 mil viagens), que passaram a ser realizadas mais por transporte escolar (de 1.308 mil para 1.973 mil) e automóvel (de 2.251 mil para 2.615 mil). Consequentemente, o índice de mobilidade por modo não-motorizado entre crianças e adolescentes (de 4 a 17 anos) também caiu.

domingo, 6 de agosto de 2017

Metrô de São Paulo inicia retomada das obras da linha 6-Laranja

04/08/2017 - Metro Jornal

O governo de São Paulo afirmou nesta sexta-feira que serão retomadas as obras da linha 6-Laranja do Metrô. Parado há quase 1 ano, o projeto deve voltar a ser tocado até o fim de 2017.

Quando ficar pronta, a chamada “linha das universidades” vai ligar a Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, no centro, com integração com a linha 1-Azul. No futuro, será feita a integração com a linha 13-Jade até o aeroporto de Guarulhos.

Investigadas na Lava Jato, as empresas inicialmente responsáveis – Odebrecht, Queiróz Galvão e UTC – não conseguiram financiamento no BNDES, o que obrigou o governo do Estado a buscar uma nova parceria.

Em nota, a Secretaria dos Transportes explicou que o recebeu uma proposta de uma empresa internacional para assumir as obras da linha 6-Laranja e que aguarda o prazo de 60 dias para poder divulgar os detalhes.

Confira a nota na íntegra:

A Move São Paulo comunicou à Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (STM), na última quinta-feira (27), que recebeu proposta de uma empresa internacional interessada em adquirir a concessão da linha 6-Laranja de metrô de São Paulo.

Caso o acordo tenha êxito, o governo não precisará relicitar e as obras serão retomadas ainda neste semestre.

“Trata-se de uma das maiores construtoras do mundo, com total capacidade para obter financiamento. Por isso, estamos confiantes de que o desfecho será favorável”, afirma o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni.

A negociação, de caráter confidencial, tem validade de 60 dias. Por essa razão, a concessionária solicitou à STM este prazo para a conclusão das análises jurídica, financeira e técnica da oferta.

A implantação da linha 6-Laranja teve início em janeiro de 2015 e, em 2 de setembro do ano passado, por decisão unilateral, a Move São Paulo, única responsável pela implantação do trecho, informou a paralisação integral das obras civis, alegando dificuldades na obtenção de financiamento de longo prazo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nos termos do contrato de concessão, a concessionária é a única responsável pela obtenção dos financiamentos necessários ao desenvolvimento dos serviços delegados. Não há pendências do Governo do Estado junto à concessionária que impeçam a retomada das obras, cuja execução atingiu 15%. Foram aportados pelo Governo do Estado até o momento R$ 694 milhões para pagamento de obras civis e R$ 979 milhões para pagamento das desapropriações de 371 ações.

A STM tem tomado todas as medidas legais previstas em contrato para que a Move São Paulo retome e conclua as obras da linha 6, que ligará Brasilândia, na zona norte da capital, à estação São Joaquim, na região central. Até o momento a pasta já aplicou multas que somam R$ 27,8 milhões.

Caso o atual concessionário não consiga dar prosseguimento às obras, o Governo do Estado poderá decretar a caducidade do contrato e iniciar um novo processo licitatório respeitando os devidos prazos legais.

Secretaria dos Transportes Metropolitanos – Assessoria de imprensa

sábado, 29 de julho de 2017

Consórcio negocia venda da concessão da linha 6 do Metrô de SP

28/07/2017 - Estadão Conteúdo

Com as obras paralisadas há dez meses, o consórcio responsável pela construção da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo negocia com uma empresa internacional a venda da concessão do ramal que vai ligar a zona norte ao centro da capital (Brasilândia-São Joaquim), também conhecido como “linha das universidades”.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 28, pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), que assinou, em dezembro de 2013, o contrato de Parceria Público-Privada (PPP) com o Consórcio Move São Paulo, composto, à época, pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC Participações e pelo Fundo Eco Realty.

As obras da Linha 6 começaram em janeiro de 2015, mas, em setembro de 2016, o consórcio paralisou integralmente a construção alegando dificuldades na obtenção de financiamento de longo prazo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Isso porque três das empresas (Odebrechet, Queiroz Galvão e UTC) estão envolvidas em escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato.

A negociação é confidencial e tem validade de 60 dias. A compra da concessão da Linha 6 por uma outra empresa é a melhor solução para o governo Alckmin, que conseguiria retomar a obra mais rápido. “Caso o acordo tenha êxito, o governo não precisará relicitar e as obras serão retomadas ainda neste semestre”, afirmou a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos.

Por causa da negociação, a Move São Paulo solicitou à pasta dois meses para a conclusão das análises jurídica, financeira e técnica da oferta. Caso o negócio não dê certo e a concessionária não consiga dar prosseguimento às obras, o governo paulista poderá decretar a caducidade do contrato e iniciar um novo processo licitatório, o que demoraria pelo menos seis meses.

Com 15 estações e 15,3 km, a Linha 6 deve transportar mais de 633 mil pessoas por dia e chegou a ter a inauguração prometida por Alckmin para 2018 – a obra, porém, aparece como promessa de campanha do tucano desde as eleições de 2010. Até agora, contudo, somente 15% foram executados. O último prazo de entrega dado pelo governador foi 2021.

O governo alega que não tem pendências junto à concessionária que impeçam a retomada das obras e que já gastou R$ 694 milhões na PPP como contrapartida de obras civis e R$ 979 milhões para pagamento das desapropriações de 371 ações. Segundo a secretaria, as multas aplicadas ao consórcio por causa da paralisação já somam R$ 27,8 milhões.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Novas estações da Linha 5-Lilás devem ser abertas incompletas

11/07/2017 - Metrô CPTM

Quem vê as obras de duas das três estações da Linha 5-Lilás prometidas pelo governador Geraldo Alckmin para agosto dificilmente acredita que elas estarão prontas a tempo de serem inauguradas. Faltando pouco mais de 50 dias para que a promessa vire realidade, as estações Alto da Boa Vista e Borba Gato ainda têm muito trabalho pela frente.

O blog percorreu o trecho de cerca de 3 km neste domingo (10) e viu alguns trabalhadores nos canteiros, uma prova que a obra está em ritmo frenético, porém, ainda longe de parecerem próximas de serem finalizadas.

A sensação de que elas serão entregues às pressas é reforçada por uma informação não oficial de que as PSDs, portas de plataforma que são item extra de segurança nas novas estações do Metrô, não serão instaladas a tempo. Prova disso é que as plataformas de Alto da Boa Vista e Borba Gato receberam o piso até a extremidade, ou seja, sem deixar um trecho de cerca de 40 cm para que sejam montadas as estruturas das PSDs.

Segundo relato de um funcionário da obra que repercutiu em redes sociais, as portas não estão prontas e ainda a caminho, vindas da Europa. Na estação Brooklin, a mais adiantada da obra, os operários finalizam a instalação de luminárias na praça do térreo além de outros detalhes menores, mas nem sinal das PSDs. Nesse caso, o “degrau” na plataforma foi mantido o que exige que ao menos as estruturas sejam montadas.

Acabamento simplório

Parte do lote 2 da expansão da Linha 5, as estações Alto da Boa Vista e Borba Gato foram iniciadas na mesma época de Brooklin e chegaram a estar mais adiantadas que ela. Mas atrasos e o encarecimento da obra, que chegou ao limite de aditivos, obrigaram o Metrô a relicitar a parte final do projeto. O consórcio Galvão-Serveng, que havia começado o trecho, deu lugar ao Contracta-Telar que assumiu a obra no ano passado.

A troca de bastão atrasou ainda mais os trabalhos que deveriam ter sido concluídos em junho. Um dos sintomas do aumento de custo e do atraso é o acabamento dos prédios técnicos, edificações que ficam na superfície. Ao contrário de Brooklin, com vidros fumês, e AACD-Servidor, com placas de alumínio, as duas estações receberam apenas pintura e serão finalizadas com brises metálicos na região das janelas.

Apesar disso, a esperada inauguração das três estações deve seguir o de praxe na estratégia do Metrô: elas funcionarão em horário restrito e com intervalos bem elevados, apenas para avaliar os diversos sistemas e sua infraestrutura até que haja condições de ampliar o serviço.


domingo, 9 de julho de 2017

Camargo cita propina de R$ 2,5 milhões no Metrô

08/07/2017 - O Estado de S.Paulo

Delação de executivos da construtora indica fraude na licitação da Linha 5-Lilás

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

Dois executivos da Camargo Corrêa afirmaram em acordo de delação premiada feito com o Ministério Público de São Paulo que a construtora pagou R$ 2,5 milhões em propina a um ex-diretor do Metrô paulista para fraudar a licitação das obras da Linha 5-Lilás, feita em 2010. Os repasses ilícitos, segundo os delatores, favoreceram um cartel formado pelas cinco maiores empreiteiras do País.

Em depoimento aos promotores, ainda sob sigilo na Justiça, os engenheiros Jorge Yazbek e Eduardo Maghidman detalham pagamentos ilícitos ao ex-diretor de Assuntos Corporativos Sérgio Corrêa Brasil, entre 2010 e 2011, nos governos José Serra, Alberto Goldman e Geraldo Alckmin, todos do PSDB. De acordo com os delatores, a propina assegurou que os lotes mais caros da obra ficassem com Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão, chamadas de “G5”.

ctv-uk1-metro-obras
Segundo delatores, construtora Camargo Corrêa pagou propina a ex-diretor do Metrô para obras da Linha 5-Lilás Foto: TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

Esta é a primeira delação obtida pelo MP paulista envolvendo obras do Metrô, mas o nome de Brasil já foi citado por quatro executivos da Odebrecht em delações da Operação Lava Jato como beneficiário de pagamentos ilícitos por vantagens em contratos da companhia envolvendo as Linhas 2-Verde, 5-Lilás e 6-Laranja, entre 2003 e 2013.

Nas planilhas da Odebrecht, Brasil aparece com os codinomes “Brasileiro” e “Encostado”. No caso da Linha 5-Lilás, executivos da Odebrecht disseram que o ex-diretor cobrou propina de 0,5% sobre os pagamentos mensais feitos pelo Metrô às construtoras. Brasil deixou a estatal em dezembro do ano passado, em um Plano de Demissão Voluntária (PDV).

As obras da Linha 5 foram divididas em oito lotes – sete contratos foram assinados em outubro de 2010 no valor total de R$ 6,2 bilhões (corrigidos pela inflação). A Camargo venceu o lote 3 em consórcio com a Andrade Gutierrez pelo valor de R$ 1,7 bilhão, e Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão dividiram o lote 7 (R$ 1,8 bilhão).

Segundo Yazbek, diretor da Camargo até abril deste ano, foi um executivo da Andrade, em 2010, que apresentou a demanda de pagamento de propina a Brasil. De acordo com o delator, o ex-diretor do Metrô indicou que os pagamentos fossem feitos por meio da empresa AVBS, de Gilmar Alves Tavares.

Yazbek e Tavares teriam combinado dois contratos fictícios no valor de R$ 1,25 milhão cada, vinculados a uma obra da Camargo em Jundiaí, no interior, para dar aparência de legalidade ao negócio e disfarçar a propina. Os pagamentos foram feitos entre 2011 e 2012 e divididos em cinco parcelas de R$ 250 mil. Nenhum serviço foi prestado pela AVBS. 

Segundo Maghidman, os recursos pagos à empresa do suposto laranja de Brasil foram retirados das obras da Linha 2-Verde, onde a Camargo também tinha contrato. 

Acordo. As delações foram feitas na esfera criminal, onde Yazbek e Maghidman estão entre os 13 réus da ação penal movida em 2012 pelo MPE contra o cartel na Linha 5. 

Na esfera cível, em que há uma ação de improbidade contra as empresas desde 2011, a Camargo e a promotoria fizeram um acordo no qual a empreiteira deve pagar multa de R$ 24,3 milhões e desistir de uma ação contra o Metrô no valor de R$ 27 milhões, conforme revelou a Folha de S. Paulo. Pela proposta, que ainda está sob análise da Justiça, a Camargo admite o crime de cartel e continua livre para contratar com o poder público.